Assédio Sexual é
legal?
Por: Negra Rô
Estamos passando por um momento em que,
em sua maioria, ninguém respeita ninguém e, neste caso em questão, falo das
mulheres que, alguns dizem que, são o “sexo frágil” e, por conta disto,
mediante os fatos que ocorrem com frequência, podem ser submetidas a tudo e
qualquer coisa, até mesmo uma ejaculação, por conta de um homem que acha que,
tem poder naquela mulher e, que pode fazer o que quiser. Este texto, está na
primeira pessoa sim pois, sou mulher também e, não tem como me colocar na
terceira pessoa pois, quero saber, qual foi a mulher que nunca sofreu um
assédio sexual, seja por marido, namorado, Deus que me perdoe, até de parentes
consanguíneos, aqui, não coloquei os dados estatísticos, mas, provavelmente,
devem ter muitas e, além destes dados, tem as que não falam que sofreram, por
medo de encontrar novamente quem o fez ou, se for alguém próximo, de sofrer
novamente.
Nestes casos que, estão ocorrendo por
agora pois isto, já acontece há um tempo, Vi textos de homens ou que usam
pseudônimos de tais dizendo: “Ah vá! E mesmo! Se fosse um negão musculoso
igual aos que a mulherada fica loca por ai, com certeza ela tinha até lambido.
Mulher é bem seletiva, se for nesses padrões que eu falei elas gostam, caso
contrario, já apela pra estupro.” E outro respondendo: “Mais e verdade mesmo se fosse um cara daqueles
modelos fortes duvido que ela ficaria nesse estado de choque a maioria e
hipocrita provavelmente esse cara e um mal acabado mal vestido ai tem o
"nojinho"”.
Quero deixar
esclarecido aqui que, estas citações acima, são relatos de outras pessoas e, é
somente para deixar bem fixado, o que se tem falado por aí, tanto na internet
como, por onde andamos e deixando claro que, não são todos os homens que pensam
assim. Aqui não tem ódio a homens e sim, indignação, perante este fato.
Enfim,
são estes tipos de coisas que temos que ouvir, não só de homens, mas, até de
algumas mulheres que, também acreditam que o problema é nosso. Se tem mulher
que gosta ou não de ser assediada, é outra história e, na realidade, se existe
é uma questão dela com ela mesma e, que ninguém pode julgar porque, cada pessoa
é uma pessoa e cada caso é um caso e, quem sou eu para dar o meu veredicto
sobre esta parte, até porque, não sou Deus e muito menos juíza.
Então,
podemos ser “sarradas” no ônibus porque somos mulheres, ou porque poderemos ou
não gostar, ou porque estamos com roupas “sugestivas” a isso ou por fetiche?
Até
na nossa roupa, as pessoas tomam conta. Se colocarmos um short curtinho bem transado,
é: “piraaaaaaaanha” mereceu ser estuprada ou assediada. Se colocar uma blusa
super tudo e, que os seios ficam bem evidentes: “olha só a pouca vergonha, está
pedindo para ser agarrada”. Quando colocamos saia comprida e blusa bem tampada:
“noooooossa!!!!!!! Esta mulher deve ser direitinha, hummmmmmmmmmm me deu uma
vontade de conhecer melhor…”, e por aí vai.
Deixando
claro também que, não falo de paquera e troca de olhares que, há o
consentimento de ambos ou, o interesse de uma parte, mas, que é feita (o)
dentro dos limites de cada pessoa. Isso é ótimo, qualquer um (a) ser paquerado
(a) e, rolar o famoso “clímax” entre duas pessoas, show, mas, quando isso passa
a ser prejudicial para uma parte, aí não é legal.
E
quem pensa que homem também não sofre assédio sexual, também sofrem. Só que
eles não falam muito sobre isso porque, sentem vergonha ou, eles acham que, por
conta do machismo, serão “menos homens se relatarem”.
Enfim,
vivemos em uma sociedade machista que, não aceita, de forma alguma, nada que
saia dos “padrões normais da sociedade”. Mas, qual é o padrão normal da
sociedade? É um homem estuprar ou assediar sexualmente (que para mim, é a mesma
coisa) uma mulher que está vindo do trabalho ou, até da balada, problema é
dela, ela vai e faz o que quiser e, qualquer ser humano também. Nós seguimos
algumas éticas sim, mas, se a mesma não está ferindo o padrão ético de ninguém,
pode andar bêbada pela rua sim, pode usar short curto sim, pode rebolar até o
chão sim e, pode ser uma mulher “bela recatada e do lar” sim, se quiser. Pode
ser isso tudo junto ou separado, mas, nenhum ser humano pode ser discriminado
pela roupa que veste e por isso, ser assediado em qualquer lugar.
O
legal é que, há tempos, existem alguns movimentos muito legais que, tomaram repercussão
mundial como a hashtag #Me Too (Eu Também) que, seguindo os jornais,
ganhou força, após a atriz Alyssa Milano pedir que outras mulheres relatassem
suas experiências com abusos, assédios e agressões sexuais.
Outra
campanha muito legal é a da hashtag #YesAllWomen que, já é mais ligada ao ódio
às mulheres. A mesma ganhou as redes após o atirador Elliot Rodger matar seis
pessoas perto do campus da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Em
vídeo gravado antes do ataque, ele disse que cometeria o crime por ódio contra
as mulheres.
Sobre
a Hastag #Me Too: https://www.theguardian.com/world/2017/oct/20/women-worldwide-use-hashtag-metoo-against-sexual-harassment
Mas,
existem outras coisas que, ao inverso disto, nos reverenciam e respeitam, como
o samba da minha Estação Primeira de Mangueira, do carnaval de 2015, que foi de
autoria de Renan Brandão, Cadu, Alemão do Cavaco, Paulinho Bandolim, Deivid
Domênico e Almyr, segue uma linda homenagem, em meio a tantas problemáticas
deste mundo em que vivemos: “Eu vou cantar, a vida inteira Pra sempre
Mangueira, tem que respeitar! Eu vou cantar, a vida inteira, Mulher Brasileira
em primeiro lugar!!!!!!!!” Mas, dedico às mulheres do mundo, mediante o tema
abordado aqui.
Sigamos
e, vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos destes casos, pois, sempre
acaba em pizza. Mas, só de parte da população mundial, está se sensibilizando
com estes casos, isto significa que o famoso senso comum está modificando e, de
uma forma positiva e isto é muito bom. Isto me faz acreditar que, muitas
coisas, podem realmente, não acabarem mais em pizza.



