terça-feira, 21 de novembro de 2017








CARTA PROTESTO DO GRUPO “AFROLAJE”





  Não amordacem a nossa cultura!
A Associação Cultural AFROLAJE há 05 anos tem valorizado a cultura afro-brasileira, promovendo roda cultural com JONGO, CAPOEIRA ANGOLA, SAMBA de RODA e outras manifestações afins, todo último domingo de cada mês, na Praça Agripino Grieco, no Méier. Estamos na praça pois acreditamos que a cultura popular brasileira deva estar acessível a todos e o Méier é um bairro rodeado de comunidades carentes, cujos moradores não possuem recursos para acessar bens culturais pagos. Por isso nossa roda é gratuita!
Além disso, o Méier é o bairro onde o Afrolaje nasceu e fincou as suas raízes nesses 05 últimos anos. Aqui ampliamos nossos laços afetivos agregando e compartilhando momentos com pessoas e grupos das mais variadas vertentes culturais, sociais e econômicas.
Apesar de toda a nossa trajetória, neste mês de novembro, mês de comemoração da “Consciência Negra”, estamos sendo impedido de realizar a nossa tradicional Roda de Jongo, por conta da nova política burocrática adotada pela prefeitura. Neste mês também prevíamos a participação de mestres quilombolas e do “Coletivo Cinegrada”, que nos proporcionaria um cine debate sobre racismo. No lugar do Jongo e do debate sobre racismo, a praça vai receber um evento de Rock. Isso em pleno mês da “Consciência Negra”. Lembrando que outros irmãos de atividades também estão passando pela mesma dificuldade. Importa esclarecer que apoiamos todos os tipos de manifestações culturais e este protesto não é contra o Rock ou roqueiros, mas sim contra o cancelamento da tradicional roda de jongo que acontece mensalmente na praça Agripino Grieco nos últimos 5 anos.
Após diálogo com a prefeitura, foi sugerido deslocarmos a roda para a “Praça do Trem”, no Engenho de Dentro, sob a promessa de fornecimento de ponto de luz e banheiro químico para a realização do nosso evento. Porém, mais uma vez a prefeitura mostrou o seu descaso com a cultura afro brasileira! Além de não cumprirem o combinado, outro evento foi marcado também na “Praça do Trem” para o mesmo dia e horário em que a prefeitura havia nos concedido o espaço.
Infelizmente, os fatos demarcam o desprezo da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro com a cultura afro-brasileira. Tal descaso se dá num contexto de intensificação da intolerância religiosa, cultural e política com o povo preto, que tem visto as suas formas de viver, crer e se alegrar desprezadas e até mesmo criminalizadas.

Agora o que fazer?
*AGREGAR E RESISTIR!*
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2017.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017








Fé é Coisa Séria: Entrevista com o Babalawo Ifaonikamogun Aworeni




Bom dia/tarde/noite, tudo bem? O Descolando Idéias com a Rô, tem o prazer de lançar a primeira entrevista com, uma pessoa que respeito muito que é o Babalawo Ifaonikamogun Aworeni. Ele falará para nós, um pouco sobre o nosso culto ancestral IFA.

1-Babá, tudo bem? Fale um pouco para nós sobre, a sua trajetória dentro de Ifa. Como o senhor conheceu?
Olá, tudo bem? A minha trajetória dentro da religião começou no meu nascimento, pois a minha mãe já era de Umbanda, com isso, passamos por várias religiões como: O Catolicismo, O protestantismo, Igreja Messiânica, Budista, a Umbanda, Religiões Afro-Brasileiras ( Angola, Keto, Djeje), porém em 1993 conheci  IFÁ através do Cubano Rafael  Zamora de gundakete( Odu Ifá ), uma pessoa que fizemos grande amizade, inclusive com o seu filho Rafaelito. Não me consagrei no Ifá cubano, pois o meu ORI não permitiu. Continuei estudando o IFÁ e em 2008 me consagrei em AWO IFÁ, no Ifá tradicional Aborígine Africano, onde a minha família é de Ilê Ifé – Nigéria . Hoje com mais conhecimento, tendo fundamentos como Igbadu e seguindo o nosso querido Baba Ifateju  Aworeni, venho aprendendo e ensinado muitas pessoas.
O que mais me encanta em Ifá é podermos ajudar pessoas, pois Ifá faz uma reforma intima em cada um que queira realmente evoluir.

2-O senhor tem uma Egbé. Quando o senhor iniciou os seus trabalhos nela e, começou a cuidar das pessoas, qual a sua sensação ao ver a melhora de cada pessoa que Ifá o ajuda a ter equilíbrio?
Os meus trabalhos começaram de fato há quatro anos, quando eu me senti confortável para colocar as mãos na cabeça das pessoas, pois Ifá é muito estudo e pratica sem dúvida uma religião onde o sacerdote precisa ter convicção e muito conhecimento do que está fazendo.
Quando colocamos a religião na frente do dinheiro, seguimos uma verdadeira família de Ifá, onde não fazemos um Ifá Frank Stein, quando somos sacerdotes sérios, a sensação é maravilhosa, pois nos não somos nada, somos apenas mensageiros de Orunmilá, estamos aprendendo sempre.  Para encontrarmos a nossa felicidade, precisamos estar alinhados com o nosso destino (Odu), só dessa forma iremos atingir nossos objetivos.

3-Aqui deixo para o senhor falar sobre algum itan que possa ser falado e, que venha a ser uma lição de vida para quem está vendo esta entrevista
Bem, existem muitos itans, cada Odu tem pelo menos 15/20 Itans, porém gosto muito de Itan de Iworiogbe (Iwori bogbe), nesse Odu conta que Ogun nunca conseguia atingir os seus planos, um dia comentava com o irmão que iria caçar nas montanhas do Sul logo que amanhecesse, porém quando iria caçar voltava sem nada, no outro dia falava para o irmão que iria caçar nas montanhas do Norte, voltou de lá sem uma caça. Ogun vendo aquela situação resolveu se consultar com Orunmilá, Orunmilá com toda sua sabedoria informou a Ogun que ele estava falando demais, pois não deveria contar para ninguém os seus planos.
Dessa forma Ogun, começou a executar primeiro e depois falar e a sua vida ficou fantástica.

4-Porque muitas pessoas não sabem o que é IFA? É medo ou preconceito?
Na verdade os Babalawos não foram escravizados como todo povo, todos nós sabemos que os escravos foram comercializados em todo mundo, o Babalawo sempre foi uma figura importante, um grande GURU, portanto vieram pouquíssimos Babalawos para o Brasil e America Central. Na America Central, os Babalawos têm origem do Benin, onde se cultua Fá ( Ifá para os Yorubas Nigerianos ). Com isso tudo foi se perdendo.
O nosso querido Candomblé tem uma literatura básica, por mais que tenha tido mudanças ao longo do tempo. A literatura base seria o Código de Ifá. Quando pensamos em Orisa, pensamos no berço do mundo que é a nossa querida mãe África. Para a família Aworeni, todos os Orisas chegaram a Oke Itase (Ile Ifé – Nigéria), onde fica o nosso grande pai Aragba Agbaye Aworeni.
Não acredito em medo ou preconceito, acredito em falta de conhecimento mesmo, pois estamos fazendo um trabalho de divulgação dessa maravilhosa filosofia de vida que é Ifá, Ifá é a consciência Cósmica do Universo.

5-Fale um pouco da Família Aworeni?
A minha família é maravilhosa, sou suspeito de falar kkk. É uma família muito séria e conceituada na Nigéria, temos muitos princípios e levamos Ifá com muito amor.

6-Como foi a sua viajem à África e a sensação de estar próximo do Arabá?
A viagem foi maravilhosa, por mais que cansativa a energia e a emoção sempre falam mais alto. Estar com o nosso grande pai aqui na terra e o representante de Orunmilá no Aiyê são sem dúvida emocionante e um momento único.

7-O que o senhor trouxe de positivo de África para dar continuidade ao seu trabalho dentro de IFA?
Além de mais conhecimento e fundamentos, a experiência é única daquele povo hospitaleiro, humilde e guerreiro, pois a esperança, a perseverança e a certeza que o futuro será melhor, já estão naquele povo Nigeriano.

8-Há algumas diferenças como cuidar dos orixás no lesse Ifá e no candomblé?
Sim, o Candomblé é maravilhoso quando é conduzido por pessoas sérias e gabaritadas.
A liturgia (Os rituais, a forma de fazer) é bem diferente, pois dentro do Ifá tradicional Aborígine Africano, seguimos de fato o que os nossos ancestrais nos ensinaram, dentro de cada família. Precisamos entender que o Candomblé se originou da África, pois quando pensamos em ORISA, pensamos na África. Segundo o Código de Ifá, pois é nesse código que todas as religiões de matriz africana deveriam seguir. Quando estudamos a Gêneses Yoruba, observamos que todos os Irunmules/Orisas vieram para o Aiyê e desceram em Oke itase - Ile Ifé (Nigéria).
Por todos esses aspectos, observamos que Ifá (A mente e a voz de Deus – todas as Leis de Deus, também chamado de Olodumare / Edumare), é o principio de tudo e envolve todas as religiões, onde exista o bom caráter e o amor.

9-O que IFA fala, em relação às outras religiões?
Ifá sempre vem para esclarecer, informar, completar e responder a perguntas sem respostas.
Ifá é amor em movimento.

10-Dê as suas considerações finais.
Gostaria de agradecer a todos pelo carinho e oportunidade, para Ifá nada é impossível, pois o primeiro passo é a nossa reforma intima. Quando buscamos o nosso “eu”, começamos um processo de mudanças.
Nunca desista dos seus sonhos, porém execute e depois comente com alguém os seus planos.
Quem quiser obter maiores informações, estarei pronto para ajudar.
Babalawo Ifaonikamogun Aworeni

(021) 96448-8278 Whatsapp

O Babá, estará ministrando em dois sábados, cursos muito interessantes e, os maiores detalhes, estão neste link abaixo. Ainda dá tempo de se escrever.

https://www.facebook.com/groups/268675293522596/permalink/632441240479331/

Beijos!!!!!

#chegandojuntocomaro