quinta-feira, 21 de dezembro de 2017






Assédio Sexual é legal?

Por: Negra Rô

Estamos passando por um momento em que, em sua maioria, ninguém respeita ninguém e, neste caso em questão, falo das mulheres que, alguns dizem que, são o “sexo frágil” e, por conta disto, mediante os fatos que ocorrem com frequência, podem ser submetidas a tudo e qualquer coisa, até mesmo uma ejaculação, por conta de um homem que acha que, tem poder naquela mulher e, que pode fazer o que quiser. Este texto, está na primeira pessoa sim pois, sou mulher também e, não tem como me colocar na terceira pessoa pois, quero saber, qual foi a mulher que nunca sofreu um assédio sexual, seja por marido, namorado, Deus que me perdoe, até de parentes consanguíneos, aqui, não coloquei os dados estatísticos, mas, provavelmente, devem ter muitas e, além destes dados, tem as que não falam que sofreram, por medo de encontrar novamente quem o fez ou, se for alguém próximo, de sofrer novamente.

Nestes casos que, estão ocorrendo por agora pois isto, já acontece há um tempo, Vi textos de homens ou que usam pseudônimos de tais dizendo: “Ah vá! E mesmo! Se fosse um negão musculoso igual aos que a mulherada fica loca por ai, com certeza ela tinha até lambido. Mulher é bem seletiva, se for nesses padrões que eu falei elas gostam, caso contrario, já apela pra estupro.” E outro respondendo: “Mais e verdade mesmo se fosse um cara daqueles modelos fortes duvido que ela ficaria nesse estado de choque a maioria e hipocrita provavelmente esse cara e um mal acabado mal vestido ai tem o "nojinho"”.

Quero deixar esclarecido aqui que, estas citações acima, são relatos de outras pessoas e, é somente para deixar bem fixado, o que se tem falado por aí, tanto na internet como, por onde andamos e deixando claro que, não são todos os homens que pensam assim. Aqui não tem ódio a homens e sim, indignação, perante este fato.

Enfim, são estes tipos de coisas que temos que ouvir, não só de homens, mas, até de algumas mulheres que, também acreditam que o problema é nosso. Se tem mulher que gosta ou não de ser assediada, é outra história e, na realidade, se existe é uma questão dela com ela mesma e, que ninguém pode julgar porque, cada pessoa é uma pessoa e cada caso é um caso e, quem sou eu para dar o meu veredicto sobre esta parte, até porque, não sou Deus e muito menos juíza.

Então, podemos ser “sarradas” no ônibus porque somos mulheres, ou porque poderemos ou não gostar, ou porque estamos com roupas “sugestivas” a isso ou por fetiche?

Até na nossa roupa, as pessoas tomam conta. Se colocarmos um short curtinho bem transado, é: “piraaaaaaaanha” mereceu ser estuprada ou assediada. Se colocar uma blusa super tudo e, que os seios ficam bem evidentes: “olha só a pouca vergonha, está pedindo para ser agarrada”. Quando colocamos saia comprida e blusa bem tampada: “noooooossa!!!!!!! Esta mulher deve ser direitinha, hummmmmmmmmmm me deu uma vontade de conhecer melhor…”, e por aí vai.


Deixando claro também que, não falo de paquera e troca de olhares que, há o consentimento de ambos ou, o interesse de uma parte, mas, que é feita (o) dentro dos limites de cada pessoa. Isso é ótimo, qualquer um (a) ser paquerado (a) e, rolar o famoso “clímax” entre duas pessoas, show, mas, quando isso passa a ser prejudicial para uma parte, aí não é legal.

E quem pensa que homem também não sofre assédio sexual, também sofrem. Só que eles não falam muito sobre isso porque, sentem vergonha ou, eles acham que, por conta do machismo, serão “menos homens se relatarem”.

Enfim, vivemos em uma sociedade machista que, não aceita, de forma alguma, nada que saia dos “padrões normais da sociedade”. Mas, qual é o padrão normal da sociedade? É um homem estuprar ou assediar sexualmente (que para mim, é a mesma coisa) uma mulher que está vindo do trabalho ou, até da balada, problema é dela, ela vai e faz o que quiser e, qualquer ser humano também. Nós seguimos algumas éticas sim, mas, se a mesma não está ferindo o padrão ético de ninguém, pode andar bêbada pela rua sim, pode usar short curto sim, pode rebolar até o chão sim e, pode ser uma mulher “bela recatada e do lar” sim, se quiser. Pode ser isso tudo junto ou separado, mas, nenhum ser humano pode ser discriminado pela roupa que veste e por isso, ser assediado em qualquer lugar.

O legal é que, há tempos, existem alguns movimentos muito legais que, tomaram repercussão mundial como a hashtag #Me Too (Eu Também) que, seguindo os jornais, ganhou força, após a atriz Alyssa Milano pedir que outras mulheres relatassem suas experiências com abusos, assédios e agressões sexuais.
Outra campanha muito legal é a da hashtag #YesAllWomen que, já é mais ligada ao ódio às mulheres. A mesma ganhou as redes após o atirador Elliot Rodger matar seis pessoas perto do campus da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Em vídeo gravado antes do ataque, ele disse que cometeria o crime por ódio contra as mulheres.
Sobre a Hastag #Me Too: https://www.theguardian.com/world/2017/oct/20/women-worldwide-use-hashtag-metoo-against-sexual-harassment

Mas, existem outras coisas que, ao inverso disto, nos reverenciam e respeitam, como o samba da minha Estação Primeira de Mangueira, do carnaval de 2015, que foi de autoria de Renan Brandão, Cadu, Alemão do Cavaco, Paulinho Bandolim, Deivid Domênico e Almyr, segue uma linda homenagem, em meio a tantas problemáticas deste mundo em que vivemos: “Eu vou cantar, a vida inteira Pra sempre Mangueira, tem que respeitar! Eu vou cantar, a vida inteira, Mulher Brasileira em primeiro lugar!!!!!!!!” Mas, dedico às mulheres do mundo, mediante o tema abordado aqui.

Sigamos e, vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos destes casos, pois, sempre acaba em pizza. Mas, só de parte da população mundial, está se sensibilizando com estes casos, isto significa que o famoso senso comum está modificando e, de uma forma positiva e isto é muito bom. Isto me faz acreditar que, muitas coisas, podem realmente, não acabarem mais em pizza.



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017






Entrevista com o Professor Amazonas


 Por Negra Rô


Eduardo Amazonas é administrador, economista e, psicanalista por prazer, além de professor e o mesmo montou uma clínica social de psicanálise na Dias da Cruz e, além disso, é empresário. Ufa, rsrs. Este é um pouco do professor Amazonas que me deu aula de economia na FACHA-Méier e que aulas kkkkkkk, foram ótimas. Vamos à entrevista. 

Chegando Junto com a Rô: Como que está o cenário atual da economia brasileira na sua visão? 

Amazonas: a conjuntura econômica, envolve vários fatores. Por exemplo: um grande problema na economia é o desemprego que está em 12,8% e o déficit fiscal que está muito alto neste ano e o governo está lutando para manter um déficit de 159 Bi em 2017 e para 2018, também o mesmo valor. Só deveremos sair deste problema em 2020 e isto é muito ruim.

 CJR: A crise econômica é algo inventado ou aconteceu por má administração? 

A: A mesma ocorreu por má gestão na economia. Por exemplo: A Dilma errou, nos fundamentos da economia. Exemplo: Ela já pegou o 2º mandato dela com inflação alta. O próprio 1º mandato, havia uma tendência de aumento da inflação e se isto acontece, qual o papel do governo? É frear a economia e repreendendo a economia, ela volta a crescer, mas, mesmo com a inflação alta, a presidenta estimulou a economia e isso foi um erro de fundamentos básicos da economia que qualquer estudante de economia sabe então, foi uma bobagem que ela fez.

CJR: O que o senhor acha da reforma da previdência, ela vai ajudar a recuperar a economia ou não? 

A: Olha, a reforma da previdência, tem dois aspectos: para o lado empresarial e do governo, é bom agora do lado do trabalhador, sofrerá bastante. Por exemplo: a sua geração, não sei se terá aposentadoria. O próprio mercado, ele está numa dinâmica de que daqui há 40 anos, como ficará a previdência, ninguém sabe. O jovem deveria fazer uma previdência privada porque, esta é uma tendência do Neo Liberalismo Econômico. Então, eu acho que está na hora de cada um pensar em seu futuro pois, vive-se muito uma economia do aqui e agora e então, esta juventude pode vir a pagar um preço muito alto. 

CJR: O Bolsa Família atrapalha a economia? 

A: Não, muito pelo contrário, quem falar mal do Bolsa Família, me desculpe, mas é um ignorante, na forma de ignorar o que é este programa. Por exemplo, vou dar um dado importante: a cada R$ 1,00 que você investe no Bolsa Família, retorna para a economia R$ 1,70. Ou seja, 70% a mais do que é investido no Bolsa Família. As pesquisas mostram que as próprias mulheres estão tendo menos filhos, por ter o Bolsa Família. Então, são dados que as pessoas precisam estudar um pouco.

 CJR: O salário dos deputados e senadores e de todos que trabalham diretamente para o governo, são exorbitantes e nós que pagamos estes salários, com impostos. Por conta disto, o regime em que vivemos, tem alguma semelhança com a monarquia? 

A: Não, não tem nada a ver com a monarquia. O que nós vivemos é um presidencialismo de colisão. O governo depende de fazer acordos que virou toma lá dá cá. Certo, mas, quando você fala de impostos que, é mais minha área (risos), nós pagamos hoje, quase 36% de impostos no ano. Ou seja, em 365 dias que eu trabalho no ano, 153 vão para o governo e detalhe, o governo não nos dá nada de volta em troca ou seja, eu pago muito imposto e não tenho retorno de absolutamente nada. 

CJR: Porque que, em sua maioria, o povo reclama que a saúde, educação, e que tudo está ruim, mas, não reage a isso? 

A: Não sei esta acomodação do povo pois, quando você fala o povo nem todos estão passando fome e quando você pega a população mais pobre, ela tem uma baixa autoestima então, é difícil ela reagir e a população que foi para a rua derrubar Dilma, acabou encontrando um Temer na sequência que, é igual ou pior a ela. Então a população está meio paralisada, sem saber quem ficará no lugar. Fazer o que, sai um pior que o outro então, acho que a população está um pouco perdida ainda mais, quando eu vejo as pessoas querendo a volta do militarismo, este radicalismo todo então, eu acho que a população precisa se informar mais.

 CJR: A privatização vai ajudar o Brasil? 

A: Sim, a privatização ela é boa porque, se não privatizar, o governo não tem dinheiro para botar nestas empresas, como aumentar a produção de petróleo, gerar energia elétrica então, a privatização é fundamental. Tem um detalhe da privatização que, precisa-se entender é o seguinte que, quando se faz uma privatização, feita hoje, só se verá o resultado, de 3 a 5 anos depois. Então, tudo que está sendo feito hoje, é para o governo arrecadar dinheiro para pagar dívida. O retorno de benefícios destas privatizações, até geração de emprego, é a longo prazo. 

CJR: Dê a sua opinião sobre o corte de R$ 1.000.000,00 da prefeitura em relação ao carnaval. O senhor acha que foi válido fazer isso porque o carnaval gera uma renda muito grande então, o que você acha desta subvenção que foi cortada? 

A: Me parece a mesma ignorância econômica do César Maia quando ele tirou o Moto Velocidade. A prefeitura investia R$ 3.000.000,00 e tinha um retorno de R$ 7.000.000,00. Então, é uma boa coisa que nem o carnaval. Agora, tem a parte religiosa aí que eu não quero me meter nisso. 

CJR: Professor, dê as suas considerações finais. 

A: Eu acho que a população, tem que estar mais à par do que acontece na economia. As pessoas acham que economia é déficit público, crescimento econômico, não é só isso, a economia é o nosso dia a dia, quando fazemos o supermercado, quando pegamos o nosso ônibus, isso também é economia. As pessoas deviam se preocupar um pouco mais com o que está à sua volta, de uma forma não menos politizada, mas, com consciência. Professor, muito obrigada! Palavras do Professor 

Amazonas: Rosane, a Mirian Leitão, aprendeu economia com Simonsen, entrevistando ele. Então, entreviste outros economistas, você vai se desenvolver e crescer e isso será muito bom. Beijos em todos e até a próxima!